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Categoria: texos e poemas

25/06/2007 GMT 1

SETE PARES DE SAPATOS

eduardavo1 @ 20:20

Um rei tinha uma filha que rompia sete pares de sapatos todas as noites.
Disse que quem descobrisse porque é que isso acontecia casaria com a princesa e ganharia metade do seu reino; mas que tentasse e falhasse morreria. Muitos tentaram, mas sem sucesso.
Certo dia, um rapazinho pobre da cidade pediu à mãe que lhe cozesse três pães para a viagem e partiu para tentar a sua sorte. A mãe pôs veneno nos pães, pensando: "Prefiro que ele morra no caminho a que seja cruelmente morto pelo rei".
No caminho encontrou um homem que lhe pediu um pão e em agradecimento deu-lhe a benção de Deus.  Era Santo António.
Depois encontrou uma mulher que lhe pediu um pão e em agradecimento lhe deu uma capa que o tornava invisível. Era a Virgem Maria.
E, por fim, encontrou um velhinho que lhe pediu o último pão e que em agradecimento lhe deu um chicote. Era Deus.
.O rei disse-lhe que dormisse nessa noite num quarto ao lado do da princesa. Em vez disso, ele vestiu a capa que o tornava invisível e em bicos de pés entrou no quarto da princesa.
Viu-a tirar seis pares de sapatos do guarda-fatos e sair, sorrateiramente, do quarto. Seguiu-a pela escadaria abaixo e depois saíram para a rua. 
Em seguida, viu-a dirigir-se a um arbusto de ouro.
- Boa noite, arbusto de ouro!!, cumprimentou ela.
- Boa noite, princesa, e boa noite para o teu amigo!, respondeu o arbusto.
- Eu estou sozinha, disse a princesa. Apanhou uma flor, prendeu-a ao casaco e o rapaz invisível fez o mesmo.  A seguir chegou a um arbusto de prata, depois a um de cobre e todas as vezes repetia que estava sozinha e em cada arbusto, primeiro ela e depois o companheiro invisível, apanhavam uma flor.
Saltou então para um cavalo branco e atravessou um rio. O rapaz fez estalar o seu chicote e chegou à outra margem antes dela. Chegaram a um palácio cheio de monstros que dançavam pela noite fora. A princesa dançou uma valsa e gastou o primeiro par de sapatos; depois dançou uma mazurca, uma música escocesa, uma morna, uma contradança, um tango e uma sarabanda até gastar os sete pares de sapatos. Depois voltou a montar o cavalo branco e regressou ao palácio do pai. O rapaz fez estalar o chicote e chegou primeiro que ela. Correu para o quarto e deitou-se. A princesa espreitou para dentro do quarto, viu o rapaz a dormir e pensou que o seu segredo estava bem guardado. De manhã, o rei perguntou ao seu hóspede se sabia porque a princesa gastava sete pares de sapatos todas as noites. Para seu espanto, o rapaz respondeu:
- Sei sim!, e para provar o que dizia mostrou-lhe as flores dos arbustos de ouro, de prata e de cobre.
O rei prometeu que o casaria com a princesa.
- Não me caso com raparigas que dançam com monstros, respondeu o rapaz "mas dê-me metade do seu reino e a minha mãe e eu viveremos felizes o resto dos nossos dias!".


Autor desconhecido

11/04/2007 GMT 1

Sentido da vida

eduardavo1 @ 10:20

 bj bebe.jpg

O Sentido da Vida

"Não sei...

se a vida é curta ou longa demais pra nós,

mas sei que nada do que vivemos tem sentido,

se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

colo que acolhe,

braço que envolve,

palavra que conforta,

silêncio que respeita,

alegria que contagia,

lágrima que corre,

olhar que acaricia,

desejo que sacia,

amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela não

seja nem curta, nem longa demais,

mas que seja intensa,

verdadeira,

pura... enquanto durar..."

(eduarda Veloso)

21/03/2007 GMT 1

A galinha

eduardavo1 @ 18:42

A GALINHA

Minha mãe e minha tia foram à feira. Minha mãe com o meu pai e minha tia com o meu tio. Mas todos juntos. Na camioneta da carreira. Na feira compraram muitas coisas e a certa altura minha mãe viu uma galinha e disse:
- Olha que galinha engraçada.
E comprou-a também. Estava agachada como se a pôr ovos ou a chocá-los. Era castanha nas asas, menos castanha para o pescoço, e a crista e o bico tinham a cor de um bico e de uma crista. Nas costas levara um corte a toda a volta para se formar uma tampa e meterem coisas dentro, porque era uma galinha de barro. Minha tia, que se tinha afastado, veio ver, estava a minha mãe a pagar depois de discutir. E perguntou quanto custava. A mulher disse que vinte mil réis, minha tia começou aos berros, que aquilo só se o fosse roubar, e a mulher vendeu-lhe uma outra igual por sete mil e quinhentos. Minha mãe aí não se conformou, porque tinha regateado mas só conseguira baixar para doze e duzentos. A mulher disse:
- Foi por ser a última, minha senhora.
Minha tia confrontou as duas galinhas, que eram iguais, achando que a de minha mãe era diferente.
- Só se foi por ser mais cara - disse minha mãe com a ironia que pôde.
Minha tia aqui voltou a erguer a voz. Não se via que era diferente? Não se via que tinha o bico mais perfeito? E o rabo?
- Isto é lá rabo que se compare?
E tais coisas disse e tantas, com gente já a chegar-se, que minha mãe pôs fim ao sermão, por não gostar de trovoadas:
- Mas se gostas mais desta, leva-a, mulher.
Foi o que ela quis ouvir. Trocou logo as galinhas, mas ainda disse:
- Mas sempre te digo que a minha é de mais dura, basta bater-lhe assim (bateu) para se ver que é mais forte.
- Então fica com ela outra vez - disse minha mãe.
- Não, não. Trafulhices, não. Está trocada; está trocada.
Meu tio estava a. assistir mas não dizia nada, porque minha tia dizia tudo por ele e, se dissesse alguma coisa de sua invenção, minha tia engolia-o. Meu pai também estava a assistir, mas também não dizia nada, por enten­der, que aquilo era assunto de mulheres. Acabadas as compras, minha, mãe voltou logo com o meu pai na carroça do António Capador que tinha ido vender um porco. Mas a minha tia ficava ainda com o meu tio, porque precisavam de ir visitar a D. Aurélia, que era uma pessoa importante e merecia por isso uma visita para se ser também um pouco importante. E como fica­vam e só voltavam na camioneta da carreira, a minha tia pediu a minha mãe que lhe trouxesse a galinha, para não andar com ela o dia inteiro num braçado, que até se podia partir. De modo que disse:
- Tu podias levar-me a galinha, para não andar com ela o dia inteiro num braçado, que até se pode partir.
Minha mãe trouxe, pois, as duas galinhas na carroça do António Capador, e a minha tia ficou. E quando à tarde ela voltou da feira, foi logo buscar a sua. Minha mãe já a tinha ali, embrulhada e tudo como minha tia a deixara, e deu-lha. Mas minha tia olhou a galinha de minha mãe, que já estava exposta no aparador, e, ao dar meia volta, quando se ia embora, não resistiu:
- Tu trocaste mas foi as galinhas.
Disse isto de costas, mas com firmeza, corno quem se atira de cabeça. E minha mãe pasmou, de mãos ergui­das ao céu:
- Louvado e adorado seja o Santíssimo Nome de Jesus! Então eu toquei lá na galinha! Então a galinha não está ainda conforme tu ma entregaste! Então tu não vês ainda o papel dobrado? Então não estarás a ver o nó do fio?
Estavam só as duas e puderam desabafar.
- Trocaste, trocaste. Mas fica lá com a galinha, que não fico mais pobre por isso.
Minha mãe, cheia de compreensão cristã e de horror às trovoadas, ainda pensou em destrocar tudo outra vez. Mas aquilo já ia tão para além do que Cristo previra, que bateu o pé:
- Pois fico com ela, não a quisesses trocar. Só tens gosto naquilo que é dos outros.
E daqui para a frente, disseram tudo. Minha tia saiu num vendaval, desceu as escadas ainda aos berros, de modo que minha mãe teve ainda de vir à janela dizer mais coisas. Minha tia foi indo pela rua adiante, sempre aos gritos, e de vez em quando parava, voltando-se para trás para dizer uma ou outra coisa em especial a minha mãe, que estava à janela e lhe ia também respondendo como podia. Até que a rua acabou e minha mãe fechou a janela. E aí começou o meu pai, quando lá longe minha tia lhe passou ao pé e meu pai lhe perguntou o que havia e ela lhe disse o que havia, chamando mentirosa a minha mãe. Meu pai então disse:
- Mentirosa é você.
E começou a apresentar-lhe os factos comprovativos do que afirmara e que já tinha decerto enaipados de ou­tras ocasiões, porque não se engasgava:
- Mentirosa é você e sempre o foi. Já quando você contou a história do Corneta, andou a dizer que
- Mentiroso é você, como sua mulher. Uma vez na padaria a sua mulher disse que
E daí foram recuando no tempo à procura das men­tiras um do outro. Estavam já chegando à infância, quando apareceu o meu tio. Minha tia passou-lhe a pala­vra e começou ele. Mas como a coisa agora era entre homens, meu tio cerrou os punhos e disse:
- Eu mato-o, eu mato-o.
Meu pai, que já devia estar cansado, ficou quieto, à espera que ele o matasse, e como ficou quieto, meu tio recuou uns passos, tapou os olhos com um braço e disse outra vez:
- Foge da minha vista que eu mato-te.
Entretanto olhou em volta à espera que o segurassem. E quando calculou que tudo estava a postos para o segurarem, ergueu outra vez os punhos e avançou para o meu pai. Finalmente seguraram-no, e meu tio estre­buchou a querer libertar-se para matar o meu pai. Mas lá o foram arrastando, enquanto o meu tio se voltava ainda para trás, escabujando de raiva e de ameaça.

Vergílio Ferreira,

A pulga e o elefante

eduardavo1 @ 18:38

A Pulga e o Elefante

Era uma vez uma pulga que saltava e saltava e voltava a saltar para ver mais alto, lá para o outro lado do mundo.
De tanto saltar, foi parar, sem querer, à cabeça de um elefante que por ali passava calmamente com os seus amigos e família.
Quando se viu pousada na cabeça do elefante pensou:
- Agora já não tenho necessidade de andar para aqui aos saltos, saltinhos e saltões, porque daqui de cima vejo tudo até ao longe, como se estivesse numa montanha.
Assim pensou, assim o fez. Chamou logo a sua famelga pulguenta e lá foram instalar-se no "cucuruto" do paquiderme com grandes vivas de felicidade e alegria.
Ora o elefante senhorio começou a sentir uma coisa estranha no andar de cima. Uma sensação incómoda de último andar ocupado por vizinhança desconhecida e em festa agitada. Para escutar e sentir melhor, volta não volta parava, controlando as suas enormes orelhas, e punha-se à escuta para captar o que se passava.
O pulguedo em festança lá estava, observando do alto a paisagem, tomando chá e biscoitos de pulga, em festa de arromba, aliviados de tanto salto ter dado.
A pulga rainha, que lhes tinha indicado aquele miradouro, tinha um chapéu enorme, espécie de corôa, para se distinguir das outras pulgas. Uma espécie de campeã dos saltos. De repente, uma ventania muito forte veio sem avisar e o chapéu saltou-lhe da cabeça real e foi voando, voando pelo ar fora, e só parou dentro do olho do elefante, numa altura em que ele, muito paradinho, tentava, de olhos esbugalhados e muito concentrado, perceber a origem e o porquê daquela algazarra. O nosso elefante, com o chapéu enfiado no olho, deitava abundantes lágrimas, como aquela poeira que nos entra pela vista sem avisar e nos deixa a chorar, como um rio deslizando pela cara abaixo.
Então a pulga do chapéu resolveu aventurar-se para recuperar a sua preciosidade real.
Desceu até à grande orelha do elefante e segredou-lhe:
- Senhor elefante, senhor elefante, sou eu, a vizinha do andar de cima, está-me a ouvir?
Sim, como é que uns super ouvidos como aqueles, não haviam de ouvir? Aquele som, junto aos tímpanos, parecia-se com o ressoar de trovões dentro de uma panela!
O elefante, com o olho a deitar lágrimas, eriçou a tromba e como uma trompete, lá perguntou aflito:
- Quem é que está aí aos berros?
- Sou eu, a sua vizinha pulga. Posso ajudar a parar essa dor que o faz chorar!
-Como?- Perguntou o elefante a desfazer-se em água pela tromba abaixo.
- Posso ir aí ao lado e tirar esse mal do seu olho. Logo ficará melhor!
O elefante, que não sabia o que era uma pulga, ao princípio desconfiou se aquilo não era a voz de algum fantasma, ou o truque do seu primo com a mania de ser ventríloquo. Mas como a dor não saía, nem com a esfregadela da tromba, lá se resignou dizendo:
- Está bem ó Dona Pulga. Não sei se você existe, mas se existe ajude-me, pois parece que me entrou um porco espinho para o olho.
- Não é um porco espinho. É o meu belo chapéu em forma de coroa que me voou da cabeça.
Com um salto bem treinado, a pulga rainha chegou-se perto do olho do paciente e zás, tirou-lhe o chapéu, o que provocou um alto som de alívio do elefante, agora agradecido e olhando para a pulga com melhor visibilidade.
- Você é que é uma pulga? Que raio de bicharoco mais pequeno e saltitão! Bem, mas muito obrigado por me ter aliviado desta dor de olho chorão. E já agora onde vive?
- Eu? Bem, se não ficar zangado comigo vou-lhe contar. Estava eu aos saltos no chão, aqui perto, quando um salto mais campeão me levou ao cimo da sua linda, linda e espaçosa cabecinha, ainda por cima com uns abaniques que dão fresquinho e lindos como asas ao vento. Quando estava lá no seu alto, a vista era magnífica e, com um assobio especial de pulga, convidei os meus amigos e famelga pulguenta a subirem, de salto ou pela tromba acima, assim acontecendo. Foi a visão mais bonita que tivemos todos até agora, fartos de andar sempre aos saltos de terra em terra, de cão em cão, de gato em gato. Como pode sentir daqui, lá estão todos ainda numa grande festa, com uns senhores da montanha, deliciados com a vista no horizonte.
O elefante, ainda com um olhar espantado, ia ouvindo a história daquele bichinho chamado pulga e quase não acreditava na ocupação do seu espaço superior entre as orelhas. Mas como tinha uma dívida de gratidão pelo alívio da vista, lá compreendeu, decidindo apresentar a pulga à sua família maravilhosa e restantes amigos da manada, sempre unida, com boa memória, como todos os elefantes, grandes de corpo e dóceis de coração.
A pulga, por sua vez, prometeu apresentar todo o seu povo pulguento e, com aquele assobio especial, chamou a sua gente, formando-se logo uma grande fila, numa confraternização com os paquidermes, trocando amizades e experiências de saltos e jactos de água saídos das trombas, entre risos e conversas de animais pequenos e animais enormes.
Enfim, o tamanho não tem grande importância. Foi tudo uma questão do elefante saber da existência da pulga, embora a pulga já conhecesse o elefante, e agora muito melhor, depois daquele ponto alto.
E assim ficaram amigos. Os elefantes deram-lhes autorização para viverem no alto de toda a manada.
Neste momento fazem festa todos as semanas. Convidam os elefantes para dançar. Ainda tentaram que estes dessem alguns saltos, mas nada feito, pesadões como são! Dão grandes passeios pelas florestas, sempre em festa e com belas paisagens, num nunca mais acabar.
Um dia ainda passam por aqui. Estejam atentos ao assobio especial da nossa amiga pulga, rainha e campeã de saltos...!

O coelho Aventureiro

eduardavo1 @ 18:30

O COELHINHO AVENTUREIRO

O Coelhinho Aventureiro, certo dia, saiu da sua casinha, que estava ao pé de um campo cheio de papoilas e, de mala na mão, com as suas gravatas nela guardadas, a escova dos dentes e uma muda limpa, partiu para ir conhecer o mundo.
O Coelhinho Aventureiro andou toda a manhã sem encontrar vivalma. E chegou o meio-dia.
- Bolas! -dizia para si o Coelhinho -já estou com fome e não vejo nenhuma casa onde possa encontrar alguma coisa de comer.
Continuou a caminhar e, à tardinha, encontrou na berma do caminho uma linda borboleta, e disse-lhe:
- Amiga Borboleta! Estou muito contente por te ter encontrado, porque eu perdi-me, sabes, e não vejo nenhuma casa onde possa passar a noite. Podes-me indicar alguma?
- Sim, Coelhinho Aventureiro, respondeu a Borboleta -continua por este caminho e, ao chegar ao fim dele, verás a pousada do senhor Gato. Ali, concerteza que encontras comida e lugar para dormir.
-Obrigado, linda Borboleta! Vou já para lá.
E assim fez o Coelhinho aventureiro. A andar, a andar, chegou ao fim do caminho e, com efeito, encontrou a pousada e bateu à porta, perguntando:
-Podem-me dar de comer e alojamento para esta noite?
-Tens dinheiro para pagar? -perguntou o senhor Gato.
-Então, não havia de ter! -respondeu o Coelhinho.
- Nesse caso, podes entrar -resolveu o dono da pousada, mas nenhum dos dois tinha reparado em que, escondida atrás de umas árvores, estava a Raposa Bandida, que tinha visto chegar à pousada o Coelhinho Aventureiro.
A Raposa Bandida pensou:
-Mas que coelho tão gordinho! Vou esperar que saia da pousada e, logo que o tenha entre as minhas mãos, como-o guisado com tomate.
Coitadinho do Coelhinho Aventureiro! Que longe estava ele de imaginar que, ao pé da casinha, estava à sua espera, pacientemente, a Raposa, lambendo já os beiços de prazer, porque vocês devem saber que uma das coisas de que ela mais gostava era de lombo de coelho grelhado, depois de um aperitivo à base de orelhas de coelho.
O Coelhinho estava a aquecer-se ao lume, enquanto assava o frango que lhe ia servir de jantar, quando entrou pela janela a Borboleta, dizendo:
-Coelhinho Aventureiro, Coelhinho Aventureiro! À porta da pousada está escondida a Raposa Bandida, à espera de te apanhar, ao saíres daqui, para te espetar o dente. Não tens por onde fugir, pobre Coelhinho Aventureiro, porque a casa não tem nenhuma outra saída fora daquela onde a Raposa está à tua espera. O que é que pensas fazer?
O Coelhinho foi à janela com muito cuidado. Lá estava, à espreita, perto da porta, o seu terrível inimigo. Mas o Coelhinho Aventureiro teve uma ideia feliz. Apanhou da chaminé uma brasa e, aproveitando que a Raposa tinha a cauda tão levantada que chegava até ao pé da janela, encostou-lhe a esta a brasa. A Raposa Bandida, sentindo que se queimava, olhou para trás e viu a cauda a arder, deu um enorme pulo e desatou a correr para longe da pousada, dando urros de medo, à procura de água onde poder apagar o fogo.
O Coelhinho Aventureiro saiu, então, livremente da pousada e voltou para casa muito contente.

autor: desconhecido